A prática do uso da câmera remonta em Deligny à época da Rede La Grande Cordée, uma coletividade pedagógica e itinerante de acolhimento de jovens delinquentes. Na época, anos 1950, Deligny e os outros pensavam em fazer um filme sobre essa coletividade e a câmera era uma ocasião para criar um grupo ao mesmo tempo coeso e auto-gestionado (onde uns ensinam aos outros a manusear a câmera, a criar situações, escrever mini-roteiros, atuar, etc.), tudo mais ou menos dirigido por Deligny e outros educadores. Mas é somente anos mais tarde que Deligny conseguirá finalizar seu primeiro filme.
Durante 1962 e 1965, Deligny, Josée Manenti e outros acompanharão e filmarão o jovem psicótico Yves Guignard em suas errâncias nas Cevenas. As imagens só viriam a ser montadas em 1970 por Jean-Pierre Daniel e se transformarão no filme experimental Le moindre geste. Na época da Rede das Cevenas, o uso de câmeras continuará a ser uma constante e, junto com os mapas, participam do registro da vida cotidiana. Em particular, câmeras super 8 são usadas para filmar imagens destinadas aos pais das crianças. Deligny participará ainda nesse período da realização de três filmes: Ce gamin, là e À propôs d’um film à faire (dirigidos por Renaud Victor) e Projet N (dirigido por Alain Cazuc), além da escrita de inúmeros outros projetos de filmes.

Trechos do documentário Ce gamin, làEsse garoto, aí ]
Direção: Renaud Victor
Roteiro: Renaud Victor e Fernand Deligny
Fotografia: Richard Copans
Produção: Les Films du Carrosse – Renn Productions – Reggane Films – Les Productions de la Guéville – Stephan Films – Filmanthrope – INA – Orly Films. Lançado em 1976.
Duração: 95 minutos